Duas jovens são sequestradas na mesma noite. Nicole e Megan desaparecem juntas, mas só uma delas consegue voltar. A outra fica para trás, junto com um monte de perguntas que, oficialmente, parecem respondidas. E eu confesso: foi justamente essa sensação de “história resolvida demais” que me fez querer continuar lendo.
Desde o começo, Deixada para Trás me passou a impressão de que havia algo fora do lugar. Charlie Donlea alterna os capítulos entre passado e futuro de um jeito que provoca. Você termina um capítulo querendo respostas e, quando vira a página, a narrativa volta no tempo, e isso (longe de cansar) só aumenta a curiosidade. É aquele truque que funciona muito bem: quando você acha que vai entender tudo, o livro puxa você para trás de novo.
E o mais interessante é perceber como esses dois tempos vão, aos poucos, se aproximando. Passado e futuro começam a se tocar, a se misturar, até que não faz mais sentido separá-los. Quando tudo finalmente se resolve, a história se sustenta apenas no presente, como se não houvesse mais para onde fugir. Achei essa construção muito bem pensada e bastante envolvente.
Os personagens não são profundamente explorados, mas isso não me incomodou. Pelo contrário: há algo de real nessa contenção. Nem todo trauma vem acompanhado de longos discursos, e Donlea parece entender bem esse silêncio. Em vários momentos, senti que a tensão vinha mais do que estava nas entrelinhas do que do que era dito abertamente.
Sobre o plot: eu gostei. Não fui completamente surpreendida, porque em certo ponto já suspeitava do caminho que a história tomaria (e também eu já acostumei com os suspenses e mistérios, já faz parte do meu DNA literário😅). Ainda assim, quando a confirmação veio, funcionou para mim. Fez sentido com tudo o que havia sido construído até ali, sem parecer forçado e isso, para mim, conta muito.
A escrita é simples, direta e viciante. É aquele tipo de livro que você lê rápido sem perceber, sempre pensando “só mais um capítulo”. Mesmo quando comecei a montar minhas próprias teorias, eu queria continuar, queria ver se estava certa, queria entender como o autor iria fechar todas aquelas pontas soltas.
Deixada para Trás foi uma leitura que me prendeu do começo ao fim. Não é um livro que tenta ser revolucionário, mas sabe exatamente o que está fazendo. Fiquei com aquela sensação boa de quando a leitura termina, mas a história ainda tá sendo processada na cabeça. Charlie Donlea faz a gente se perguntar quantas histórias aceitamos sem questionar, só porque alguém nos contou primeiro.
E agora quero saber: você, como leitor, teria confiado nessa versão dos fatos desde o início?





