Comecei A Batalha do Apocalipse, de Eduardo Spohr, sem muita cerimônia, e logo no início já deu pra sentir que essa não seria uma leitura tranquila. O livro não apresenta o universo com calma, não pega na mão do leitor e o convida de forma mansa para mergulhar na história. O livro simplesmente te joga no meio de guerras celestiais, disputas de poder, intrigas no Paraíso e conflitos que atravessam séculos. No começo, confesso que isso me deixou um pouco perdida, mas ao mesmo tempo, curiosamente envolvida. Era como entrar numa história que já estava acontecendo muito antes de eu chegar.
A parte mais charmosa do livro é justamente o mundo que ele constrói. Esse Paraíso não tem nada de etéreo ou reconfortante; é rígido, político, cheio de regras e hierarquias que sufocam. Os anjos e demônios que aparecem ali não são símbolos perfeitos de bem ou mal, e sim personagens cheios de falhas, vaidade, orgulho, e contradições. Em vários momentos, a sensação é de estar lendo sobre seres celestiais que agem exatamente como humanos.
Ablon, o protagonista, foi o personagem com quem me envolvi aos poucos. Ele não é fácil, nem confortável de acompanhar o tempo todo. É um personagem marcado pela rebeldia, pelo exílio e por escolhas que cobram preços altos. Em alguns trechos, torcemos e entendemos as escolhas dele; em outros, você se questiona sobre as decisões de e sente falta de um aprofundamento maior em certas motivações. Mesmo assim, a trajetória dele carrega grande parte do peso emocional da história.
A leitura do livro não flui perfeitamente por conta da grande oscilação que a trama tem. Algumas parte pareciam ficar abertas demais. Em outros momentos, o livro explicava além da conta, dando ao leitor uma overdose de informações que não eram de grande importância na história.
Essa oscilação influenciou diretamente no ritmo da leitura, em certos momentos, lia rápido, completamente envolvida e querendo só mais um capítulo😭. Em outros, precisei ir com mais calma e até pausar um pouco, porque a densidade das informações pesava.
Quando cheguei ao final, a sensação não foi de fechamento absoluto, mas de impacto. Fiquei pensando no livro depois, lembrando de cenas, conflitos, personagens. Gostei bastante da experiência no geral, mesmo reconhecendo algumas falhas, e por isso a nota ficou em 4 estrelas. Não é uma leitura perfeita, mas é intensa, ousada e cheia de personalidade.
Essa é uma história que vai dividir opiniões, e tudo certo. Tem quem vá se apaixonar, e quem vá se cansar no meio do caminho. Eu fico no meio: me envolveu, me cansou, me fez questionar muita coisa, e que, mesmo com falhas, acabou ficando gravado em mim. Não tem um final totalmente resolutivo, mas intenso o suficiente para fazer a história ecoar depois da última página. No fim, é um livro que não passa ileso por quem o atravessa.





