Sabe aquele livro que a gente não lê apenas com os olhos, mas com o coração?
A Menina que Roubava Livros foi assim pra mim. Um livro que chega, se instala de mansinho, e quando você percebe já está chorando por personagens que parecem gente da sua própria vida.
Acompanhamos Liesel crescer cercada por perdas, guerra e silêncio. Ela é só uma menina, tentando entender o mundo enquanto o mundo insiste em ser cruel demais. A morte do irmão, a ausência da mãe, a nova casa, o medo constante, tudo acontece cedo e rápido, tudo pesa. Ainda assim, Liesel continua. E é isso que faz a gente se apegar tanto a ela: sua forma de seguir, mesmo sem saber exatamente como.
No meio de tanto caos, os livros aparecem. Primeiro tímidos, depois essenciais. As palavras vão se tornando abrigo, companhia e salvação. Os livros deixam de ser apenas palavras e passam a ser sobrevivência. Ler vira um gesto de resistência, uma maneira de existir quando tudo ao redor ameaça desmoronar.
É fácil de se reconhecer aí. Assim como Liesel, muitos de nós, leitores, encontramos nos livros um refúgio da mente, do mundo à nossa volta, da própria vida. Eles nos acolhem quando a realidade pesa demais, quando precisamos de silêncio, quando precisamos ficar. Perceber que esse mesmo refúgio faz parte do conjunto de coisas que salvaram a Liesel é profundamente reconfortante, como se o livro nos dissesse que se esconder nas palavras também é uma forma válida de sobreviver.
A escolha de ter a Morte como narradora poderia parecer estranha, mas funciona de um jeito surpreendente. Ela observa, antecipa, comenta, e ao longo da história, cria uma relação silenciosa com Liesel. No fim, quando chega a hora, Liesel vai de bom grado, de forma amigável, ao encontro da Morte que tanto a observou e a quis. Não há desespero, apenas aceitação. E isso dói de um jeito diferente: pela delicadeza com que a despedida acontece.
Esse não é um livro tranquilo e leve. Nunca foi. Mas é preciso. Ele fala sobre crescer em meio ao caos, sobre perdas que moldam quem somos e sobre pequenas bondades que insistem em existir mesmo nos piores tempos. É um livro que acompanha, que marca.
Independente da época ou de quem lê, A Menina que Roubava Livros continua sendo um livro essencial.
Porque quando a Morte conta uma história, você deve parar para ler.






Respostas de 2
A história traz reflexões e emoções que nos faz viajar por cada página, como se fizessemos parte. Não tem como não se emocionar 🥹❤️
A menina que roubava livros, foi o primeiro livro que ganhei lá em 2015. Desde então, nunca mais parei com a leitura. Como você mencionou, toda história narrada é bem pesada e não fica leve ao longo da leitura. Mas, é um livro que prende e nos faz refletir em como em meio a tantas dificuldades, existe sempre um refúgio.
Já li pela segunda vez, e também recomendo a leitura.