Joyland me pegou logo de início. Um parque de diversões, um crime antigo, aquela promessa de mistério que parece feita sob medida para quem gosta de suspense. Comecei a leitura animada, com aquela euforia de estar lendo alguma coisa do King, esperando uma história mais tensa, daquelas que fazem a gente querer virar a página sem pensar duas vezes.
Mas, conforme fui avançando, percebi que o livro queria outra coisa, e isso mudou bastante a minha experiência. A história acompanha Devin em um verão cheio de pequenas viradas, perdas silenciosas e descobertas que doem mais do que a gente imagina. O parque está ali, vivo, colorido, mas o foco nunca é realmente o mistério. Ele existe, mas fica sempre em segundo plano, enquanto o livro se dedica muito mais aos sentimentos e às memórias.
Não achei o livro ruim. Em vários momentos, ele é sensível, honesto e até bonito. Dá para sentir o cuidado do King ao falar sobre crescer, sobre despedidas e sobre aquelas fases da vida que a gente só entende depois que passam. Ainda assim, senti falta de algo. A expectativa criada em volta desse livro nunca foi totalmente atendida. Quando esperamos tensão, vinha introspecção.
No meio disso tudo, fiquei dividida. Gostei dos personagens, gostei do clima nostálgico, mas o excesso de drama me afastou um pouco. A leitura não fluiu como eu esperava, e o mistério (que parecia tão promissor) nunca ganhou a força necessária para me prender de verdade.
Apesar disso, acho importante dizer: essa foi a minha experiência. Livros tocam cada leitor de um jeito diferente, e Joyland pode funcionar muito melhor para quem gosta de histórias mais sentimentais e focadas em personagens. Mesmo não tendo sido uma leitura marcante para mim, acredito que vale a pena dar essa chance e sentir por conta própria.
No final, fechei o livro com aquela sensação de “gostei, mas podia ter sido mais”. Uma leitura ok, honesta, que não me arrependi de fazer, mas que também não faria de novo.





