“Aos dezessete anos, Lenora Hope, alucinada, matou a própria irmã enforcada. Matou o pai a facadas e, em delírios febris, tirou a vida da mãe, que era tão feliz. Lenora sempre diz: ‘não fui eu’, mas é a única que não morreu.”
Quando um massacre vira cantiga, ele deixa de ser só um crime. Ele vira lenda. Vira algo que as pessoas repetem, distorcem, transformam em narrativa coletiva. E O Massacre da Família Hope começa com essa sensação inquietante: a de que o que aconteceu naquela casa nunca foi completamente enterrado.
Eu leio MUITO suspense e thriller. Já começo cada livro desconfiando de todo mundo, tentando prever quem está mentindo, qual é o trauma escondido e onde vai estar o grande plot twist. Então quando um livro consegue me envolver de verdade a ponto de eu ficar tensa, virar páginas rápido e ainda terminar admirando a construção, ele ganha meu respeito.
A história parte de um crime brutal envolvendo uma família rica e aparentemente normal. Mas o livro não vive só do impacto do massacre. Ele vai além do choque. A narrativa alterna pontos de vista e momentos no tempo, revelando aos poucos que o que parecia simples está longe de ser.
Cada capítulo adiciona uma camada nova. E a sensação constante é de que tem algo errado, não só no que aconteceu, mas na forma como aquilo é contado.
Eu consegui prever alguns acontecimentos, sim. Mas sempre muito perto de acontecerem. Aquela sensação deliciosa de “eu sabia!”, mas não porque era óbvio demais, e sim porque estava muito bem construído. As pistas estavam ali o tempo todo, discretas, esperando para serem conectadas.
E preciso dizer: eu não encontrei furos claros na história. Em thriller isso é quase um evento raro. Muitas vezes a gente aceita pequenas conveniências em nome de um final chocante. Aqui, não. As motivações fazem sentido. As atitudes são coerentes. As dinâmicas familiares são desconfortavelmente reais. Porque, no fundo, o livro não é só sobre o massacre.
É sobre família. Sobre silêncios que crescem. Sobre ressentimentos acumulados. Sobre versões diferentes da mesma verdade. E sobre como uma tragédia pode ser transformada em história (e depois em música) até que ninguém mais saiba exatamente onde termina o fato e começa a narrativa.
Favoritei sem hesitar. E isso, vindo de uma leitora já meio vacinada contra plot twist fácil, diz muita coisa.
O Massacre da Família Hope não é só mais um suspense bem feito. É o tipo de livro que me fez lembrar por que eu amo tanto esse gênero. Aquele que inquieta, provoca, desmonta certezas. No fim, o que você acha que destruiu a família primeiro: o crime… ou os silêncios e os problemas que vieram antes dele?






Respostas de 3
Muito bom, Brendinha. Estou ansioso para essa leitura 👌🏻
Pô 5/5, depois dessa resenha me sinto obrigado a ler kkk
Ativou a minha curiosidade para ler esse livro 👏🏻👏🏻