Seu filho é sequestrado. Para tê-lo de volta, você precisa sequestrar outra criança. Se você não obedecer, seu filho morre. Quando tudo acaba, a criança sequestrada entra na Corrente, e o pesadelo recomeça.
É com essa premissa absurda, cruel e assustadoramente plausível que A Corrente, de Adrian McKinty, te puxa pelo braço e só te solta depois que o livro acaba.
A história começa quando Rachel tem a filha, Kylie, sequestrada. Não demora muito para ela receber a ligação que muda tudo. Não há negociação fácil, não existe polícia salvadora. A regra principal é: para ter a filha de volta, Rachel precisa sequestrar outra criança e garantir que os pais da nova vítima façam o mesmo. Se ela não cumprir, a filha morre. Simples.
É difícil ler isso sem sentir um frio na barriga. Porque, em algum momento, você para de julgar a personagem e começa a se perguntar o que faria no lugar dela. O livro força esse pensamento o tempo todo. A ideia de “antes você do que eu” aparece de forma automática.
O que mais impressiona é que não existe um grande vilão. O sistema só funciona porque pessoas comuns, desesperadas, continuam alimentando a engrenagem, mesmo que de forma forçada. E isso torna tudo muito mais perturbador. McKinty brinca com o medo, com a culpa e com o instinto de sobrevivência, mostrando até onde alguém é capaz de ir quando quem está em risco é quem mais amamos.
Outro ponto que deixa a história ainda mais próxima da nossa realidade é a crítica à superexposição nas mídias sociais. O livro deixa claro o quanto estamos vulneráveis, o quanto nossas informações estão espalhadas por aí, facilitando que alguém nos encontre, nos observe e nos transforme em alvo. Dá aquele desconforto típico de quem termina a leitura e pensa: “isso não é difícil de acontecer”.
A escrita é rápida, direta e tensa, que faz você dizer “ok, só mais um pouquinho” várias vezes. É um livro que você sente o incômodo no fundo da sua mente, que fica martelando na cabeça mesmo depois de terminar a leitura.
No fim das contas, A Corrente é mais do que um thriller viciante. É um livro que mexe com nossos limites morais e deixa uma pergunta difícil no ar: se fosse com você, até onde iria para salvar quem ama? Conseguiria viver com a escolha que precisasse fazer?







Respostas de 3
👏🏼👏🏼👏🏼
Tenso demais para não ser lido 😳
Texto forte, direto e que prende do começo ao fim. Dá pra sentir a tensão só lendo a resenha. Já fiquei com vontade de ler.