Coraline e o Mundo Secreto – Neil Gaiman

Há histórias que nos acompanham como sombras gentis: não assustam de verdade, mas também nunca nos abandonam. Coraline e o Mundo Secreto, do Neil Gaiman, é assim pra mim. Antes de ler o livro, ela já morava na minha memória por causa do filme. Cresci assistindo à animação, voltando a ela em diferentes momentos da vida, sempre com aquela sensação estranha e confortável ao mesmo tempo, mas nunca com vontade de ir embora. Quando li o livro, anos depois do meu primeiro contato com o filme, foi mais ou menos isso que senti: como um abraço tranquilo, daqueles que não precisam dizer muita coisa, só lembram quem você foi.

Coraline não é uma personagem que precisa se explicar. Ela observa, se incomoda e segue em frente. O tédio, a ausência dos pais, tudo isso existe, mas não faz com que ela paralise. O outro mundo aparece quase como uma promessa gentil ou até bonita demais, e a gente percebe junto com ela que ali tem algo errado. Neil Gaiman escreve desse jeito: sem exagero, sem susto fácil. Ele deixa o desconforto crescer devagar, e eu acredito que seja por isso que funcione tão bem.

E é aqui que entra uma confissão. Coraline é uma das poucas histórias em que eu prefiro o filme ao livro. Não porque o livro seja fraco, longe disso, mas por causa de um personagem que só existe na adaptação cinematográfica. Quem cresceu com o filme sente essa ausência. Esse personagem faz companhia, cria diálogo, ameniza silêncios. No livro, Coraline atravessa tudo de forma mais solitária. Faz sentido, mas muda a experiência, e pra mim, mudou bastante.

Mesmo assim, é um livro que eu guardaria com cuidado. Daqueles que a gente quer passar adiante, como um gesto automático: para os filhos, para os filhos deles, e assim por diante. Porque Coraline e o Mundo Secreto fala sobre coragem sem parecer uma lição. Fala sobre escolher o real, mesmo quando o real não é perfeito.

A história não é só sobre portas escondidas ou mundos paralelos. É sobre voltar. Sobre enxergar o mundo comum com outros olhos depois de enfrentar aquilo que parecia melhor demais pra ser verdade. E quando o livro acaba, fica essa sensação silenciosa de ajuste, como se tudo tivesse voltado pro lugar. Como se, de repente, “o céu nunca tivesse sido tão céu, e o mundo nunca tivesse sido tão mundo.”

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Respostas de 2

  1. Na visão do filme:

    [… nem pense em por os pés na terra Coralina
    Jones…]
    Ai gente, é um filme conforto né. Me lembro quando tinha uns 11 anos e assisti pela primeira vez. Morri de medo, mas nn parava de ver.
    Música boa, roteiro bom, boa ambientação, lógica boa.
    Acho que a única coisa que me incomoda é a superficialidade do senhor bobinsky e das senhoras spink e forcible.
    Poderiam ter explorado mais elas, mas tudo bem, o filme é sobre a coraline.
    Falando no diabo, ela é fantástica, pensa bem e usa muito a lógica…
    Recomendo assistir !!
    🤓🤓☝️

    Menção honrosa a Beldam
    Mulher, vc é uma bruxa perfeita !!!

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A Criadora do Universo

Brenda Dutra

Direito & Biblioteconomia

Entre leis e livros, organizo o conhecimento e defendo histórias.

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