Desenhos Ocultos – Jason Rekulak

Tem algo profundamente perturbador em ver a inocência sendo distorcida. E Desenhos Ocultos começa assim: com desenhos infantis que, aos poucos, deixam de ser só desenhos.

Como já falei em outras resenhas, eu leio MUITO suspense. Já entro em qualquer história procurando padrão, pista escondida, narrador duvidoso. Sempre tentando descobrir onde está o truque. Então quando um livro consegue me deixar desconfortável de verdade, não só curiosa, mas inquieta, ele já sai na frente.

Aqui, tudo começa de forma quase tranquila demais. A Mallory, recém saída da reabilitação, tentando reconstruir a vida, encontra um emprego perfeito: uma casa bonita, um casal gentil e o Teddy, que é o tipo de criança que você gosta instantaneamente. Inteligente, sensível… e com uma amiga imaginária.

Bom, é claro que não é só isso.

Os desenhos do Teddy são o primeiro sinal de que tem alguma coisa muito errada ali. E não é uma mudança brusca, o que torna tudo pior. Vai acontecendo aos poucos. Quando você percebe, já está olhando junto com a Mallory e pensando: isso não parece coisa de criança.

O livro brinca o tempo inteiro com essa dúvida: tem algo sobrenatural acontecendo ali ou existe uma explicação mais concreta e talvez mais sombria? E eu fui completamente nessa. Criei teoria, mudei de ideia, desconfiei de personagem, voltei atrás… várias vezes.

A Mallory ajuda muito nisso. Por tudo que ela viveu, fica aquela pulga atrás da orelha: até que ponto dá pra confiar na percepção dela? Mas, ao mesmo tempo, é impossível ignorar o que está acontecendo.

Tem um ponto da história em que você começa a perceber que os desenhos não são aleatórios. Eles estão contando alguma coisa. E quando essa “história” começa a fazer sentido, dá um frio na barriga, porque você entende que talvez aquilo nunca tenha sido sobre imaginação.

Eu consegui antecipar uma ou outra coisa? Sim. Mas sempre muito perto, naquele limite entre previsível e bem construído. Nada jogado. Nada gratuito.

E sobre o final (sem spoiler, mas já dando um gostinho), não é só uma reviravolta. É o tipo de revelação que reorganiza tudo. Que faz você perceber que estava olhando na direção certa, mas entendendo errado.

E isso, pra mim, é o que diferencia um thriller bom de um thriller memorável.

Não achei uma história perfeita em ritmo o tempo todo, tem momentos em que desacelera, mas a construção compensa. Porque, no fim, não se trata só de um possível fantasma ou um mistério antigo.

É sobre trauma. Sobre percepção. Sobre o quanto a gente interpreta sinais com base no que quer (ou consegue) ver.

Desenhos Ocultos não me prendeu só pela curiosidade. Ele me deixou desconfiada, desconfortável e, no final, admirando como tudo foi amarrado.

No final, fica a pergunta que o livro deixa no ar, o que é mais assustador: algo sobrenatural tentando se comunicar ou a possibilidade de que nunca tenha sido isso?

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Brenda Dutra

Direito & Biblioteconomia

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