Em Algum Lugar nas Estrelas – Clare Vanderpool

Em algum lugar nas estrelas existe mesmo algo capaz de nos orientar quando tudo desmorona aqui embaixo?

Em Algum Lugar nas Estrelas, de Clare Vanderpool, chegou até mim num período de perda real, daquelas que mudam a forma como a gente anda pelo mundo. Isso moldou completamente a minha leitura.

A história de duas crianças lidando com ausências profundas me atingiu mais pelos silêncios do que pelos acontecimentos. Em vários momentos, me reconheci na dificuldade de seguir, na sensação de deslocamento, no cansaço de continuar quando tudo ao seu redor parece intacto demais. Não é um livro que explica a dor, ela é exposta.

O ritmo é lento e, sim, às vezes pesa. Mas esse tempo dilatado combina com o que o livro quer dizer. O luto não tem pressa, não se resolve, não oferece conforto imediato. Clare Vanderpool não tenta suavizar isso, e o texto ganha força justamente por essa honestidade.

Ao terminar, não senti fechamento, nem alívio. Senti reconhecimento. Com falhas e tudo, foi uma leitura que ficou comigo, junto com as coisas importantes: silenciosas, porém difíceis de esquecer. Talvez seja isso que o livro propõe, que a gente não encontre soluções nas estrelas, mas algum tipo de companhia enquanto aprende a olhar para elas de outro jeito.

E se você chegou até aqui, guarda isso: às quartas, a gente ouve Sinatra. Não como nostalgia ou detalhe bonito, mas como lembrança de que algumas histórias (e algumas dores) não precisam ser resolvidas. Só compartilhadas.

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A Criadora do Universo

Brenda Dutra

Direito & Biblioteconomia

Entre leis e livros, organizo o conhecimento e defendo histórias.

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