Por Lugares Incríveis – Jennifer Niven

Vou ser bem sincera: Por Lugares Incríveis me atravessou. Foi uma leitura sentida, como se alguém estivesse me contando uma história difícil olhando nos meus olhos.

Eu me apeguei ao Finch. Ao jeito dele de enxergar beleza onde ninguém para pra olhar, à urgência que ele tem de fazer a Violet viver de novo. Ele aparece como quem segura a mão do outro no escuro, mesmo estando perdido também. E acredito que isso seja o que mais dói: perceber que, muitas vezes, quem cuida é quem está implorando por cuidado em silêncio. A Violet, afundada no luto, encontra nele um respiro, uma possibilidade. E nós, leitores, torcemos para que o amor seja suficiente. Sempre torcemos.

O romance dos dois não é leve, mas é verdadeiro. É feito de conversas tortas, de caminhadas, de momentos pequenos que salvam um dia inteiro. Finch ama a Violet com intensidade, com entrega, e isso transborda em cada gesto. Só que o livro nunca deixa a gente esquecer que amor não é cura milagrosa. E isso machuca, porque é muito próximo da vida real.

O luto aparece de forma crua, sem maquiagem. Ele paralisa, confunde e muda quem fica. A Violet aprende a seguir em frente, enquanto o Finch vai ficando cada vez mais difícil de alcançar. E no meio disso tudo, as frases de Virginia Woolf espalhadas pela narrativa fazem um sentido absurdo. Elas não estão ali por acaso: ecoam o que os personagens sentem, ampliam o vazio, dão nome ao que não cabe em conversa comum. É como se a literatura estivesse tentando alcançar o indizível.

Quando terminei o livro, eu chorei. Um choro silencioso, pesado, o tipo de choro que não é consolável, só precisa de tempo. Chorei pelo Finch, pela Violet, por tudo aquilo que não foi dito em voz alta. Por Lugares Incríveis não fecha com conforto; ele deixa uma ferida aberta, mas também uma consciência maior sobre escuta, empatia e cuidado.

No fim, talvez seja por isso que a frase final ressoe tanto. Não como uma declaração romântica simples, mas como um pedido, um sussurro que atravessa o livro inteiro: “você me faz adorável, e é tão adorável ser adorado por aquela que adoro.” Nela está o desejo de ser visto, de ser suficiente, de existir plenamente no olhar do outro, algo que Finch buscou o tempo todo, enquanto ensinava Violet a enxergar de novo

Gostou? Compartilhe!

Respostas de 3

Deixe um comentário para Matheus Cancelar resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

A Criadora do Universo

Brenda Dutra

Direito & Biblioteconomia

Entre leis e livros, organizo o conhecimento e defendo histórias.

Saber mais sobre mim
📚 Livros ⚖️ Direito 🎹 Música ☕ Café

VOCÊ PODE GOSTAR