Nove jovens em um porão de uma casa isolada. Uma arma. Um tambor girando. Uma roleta russa. É assim que Suicidas, de Raphael Montes, não nos deixa sair ilesos dessa leitura. É uma história brutal, começando de forma quase silenciosa, como se o leitor estivesse ali, sentindo estar diante de algo muito errado, impossível de ignorar. Desde o início do livro, fica claro que não é só um história sobre morte, mas sobre escolhas feitas no limite humano.
Conforme a trama se desenrola, é impossível que o leitor não se pergunte: o que leva uma pessoa a ultrapassar limites que, na teoria, ela jamais cruzaria? E quando a curiosidade deixa de ser inocente e se transforma em algo perigoso? Apesar da leitura desse livro provocar essas perguntas, você não vai encontrar as respostas prontas, ele nos obriga a encarar as questões de frente, colocando o leitor numa posição desconfortável, quase sufocante. Em vários momentos, me peguei desconfiando de tudo e de todos (quase sempre em vão). A escrita de Raphael Montes é ágil e envolvente, mas também é manipuladora, mantendo uma tensão até o fim.
Por trás de toda a violência explícita, Raphael Montes aborda temas profundamente reais: solidão, depressão, bullying, a influência da internet, além da necessidade humana de pertencimento. O sofrimento não é romantizado, pelo contrário, é exposto de forma crua, mostrando como a dor pode ser tanto coletiva, quanto individual e facilmente banalizada quando vira espetáculo.
É mais do que chocante, Suicidas é inquietante. É o tipo de leitura que vai permanecer nos seus pensamentos mais profundos, mesmo depois da última página. É o tipo de livro que tem partes tão absurdas, que você precisa fechar ele e absorver com calma o que acabou de ler. Tudo isso porque nos confronta com uma pergunta simples e perturbadora: se você estivesse naquele porão, até onde iria por aceitação, por verdades ou por meras curiosidades?






Uma resposta
Concordo muito quando você diz que a escrita do Raphael é manipuladora; a gente fica desconfiando de tudo o tempo todo. E realmente, o modo como ele trata temas como depressão e bullying de forma crua é o que torna o livro tão inquietante. Ótimo texto